Caso Isabella
Acabei de ler a veja dessa semana e gostei muito do que disse Lya Luft no seu ponto de vista sobre Isabella Nardoni:
MENINA QUASE MORTA, SOZINHA
Como grande parte do pais acompanho obsessivamente o casa da meninha de 5 anos brutalmente maltratada, espancada, jogada no cha, esganada, e finalmente atirada pela janela como um gato morto. Corrijo: nenhum de nos jogaria pela janela um gato morto. Talvez um rato: se encontrasse em minha casa, num gesto insensato eu o pegaria pela ponta do rabo e o jogaria pela janela (a minha tambem fica no 6º andar). Seria, alem disso, mal-educado: nao se joga coisas plea janela de apartamentos. Nem menininhas, mortas ou vivas.
Escrevo aqui com o maior cuidado: nao devo afirmar que pai e madrasta trucidaram a menina e se livraram dela como se fosse um pedaco d elixo. Para isso temos a policia, num trabalho de primeirissimo mundi. Entao: alguem a espancou, atirou-a no chao, talves lhe quebrando ossinhos da bacia, e a esnagou por tres minutos. O termo "esganar" e meio antigo: como sera apertar por tres minutos o pescoco de uma rianca de 5 para 6 anos? E dificil entender o tempo de agonia e dor de tres minutos. Quem fas fisioterapia e eventualmente e instruido: contraia esse musculo por vinte segundos. Tentem contar os 180 segundos que compoem tres minutos de pavor.
Essa historia tera sua explicacao em breve. Mas quem cometeu essa bestialidade tera seu merecido castigo neste pais das impunidades e das leis atrasadas e frouxas? Recentemente, aqui perto um menino de 15 anos confessou na maior frieza o assassinato de dezessete pessoas. Quinze deles ja forma confirmados. "Matei sim." Talves tenha acrescentado , num bar de ombros: "E dai?". Por ser menor de idade, como tantos assassinos iguais a ele, foi para uma dessas instituicoes de ressocializacao nas quais nao acredito para esses casos pavorosos, Logo estara livre para reiniciar com alegria sua atividade de serial Killer. E, se perguntarem a razao talvez diga como jovem criminoso que assaltou um amigo meu: "Nada. Hoje sai a fim de matar alguem." Nossas leis vao finalmente, segundo entendi nas palavras do novo presidente do Supremo, ser realistas, graves, portanto justas? Eu quero mais:pena de morte para casos como os que citei, independente da idade. Pelo menos prisao perpetua, sem misericordia. Quem cometeu o horrendo crime de Sao Paulo deve apodrecer numa prisao pelo resto de sua miseravel vida.
A menininha atirada doo minusculo jardim de seu edificio, ainda viva, ficou ali por muito mais que tres minutos. Imagino sua alminha atonita e assombrada, no escuro. Ainda presa ao corpo, ainda presente. Na loucura que o caso provoca porque ela poderia ser nossa crianca sobre todas as coisas amada, o que mais me atormenta e a sua solidao. Nao a vi, em nenhum momento, abracada, levada no colo por alguem desesperado que tentasse lhe devolver a vida que se esvaia, que a cobrisse de beijos, que a regasse de lagrimas, que a carreasse por ai gritando em agonia pedindo ajuda. O que teria feito a pobre mae se estivesse presente.
Estava ali deitada, a crianca indefesa como um bicho atropelado com o qual ninguem sabe o que fazer. Na nossa sociedade, em que as sombras mais escuras do nosso lado animal andam vivas e ativas, la ficou, por um tempo interminavel, caida, quebrada, arrebentada, e viva, a menina quase morta. Sozinha.
site: http://www.releituras.com/lyaluft_bio.asp
Revista Veja Edicao 2058
30 de abril de 2008
sem comentarios, ela disse tudo.

